top of page
Buscar

Sociedade do cansaço

  • Foto do escritor: Horácio Amici
    Horácio Amici
  • 14 de jun. de 2020
  • 2 min de leitura

Sociedade do Cansaço” é o título de um dos livros do filósofo Byung-Chul Han. Nele, o autor faz uma análise muito interessante da forma como a sociedade contemporânea se organiza e, principalmente, dos impactos que reverberam nas subjetividades.


Han começa o texto apontando que os diagnósticos de Depressão, TDAH e Síndrome de Burnout seriam as “enfermidades fundamentais” dos nossos tempos - e que esses três quadros guardariam entre si uma semelhança importante que caracterizaria a nossa forma de viver atual.


O autor faz uma comparação entre as sociedades modernas e as sociedades atuais, apontando que passamos de um modelo disciplinar (marcado por proibições, limites e negatividades) para um modelo do desempenho (caracterizado por uma positividade sem limites).


Estaríamos vivendo um “excesso de positividade”, uma “massificação do positivo”. Desaparecem as negatividades, tudo parece estar a nosso alcance, nada aparentemente nos limitaria. Vivemos, então, um contexto marcado por sujeitos que seriam quase que “empresários de si mesmos”.


Han cita Alain Ehrenberg, sociólogo francês que ajuda a pensar alguns diagnósticos contemporâneos. Ehrenberg localiza a depressão, por exemplo, na passagem da sociedade disciplinar para a sociedade do desempenho. O depressivo, segundo o autor, seria um sujeito “esgotado pelo esforço de ter que ser ele mesmo”, a todo momento.


O excesso de positividade se manifesta, também, enquanto excesso de estímulos e impulsos, modificando significativamente a estrutura da “economia da atenção”. É aqui que o autor faz um paralelo com o diagnóstico de TDAH.


Olhar para a prática clínica, através desse olhar, parece abrir possibilidades importantes: a de não individualizar e não se propor a adaptar os sujeitos a essa forma de viver inevitavelmente adoecedora e, também, a criar espaços para que os sujeitos possam finalmente romper essa lógica do desempenho incessante da qual nos tornamos escravos.


Pensar a clínica como refúgio, respiro. Como abertura para que os sujeitos possam de fato se verem para além do que se mostra socialmente como possibilidade para eles.

 
 
 

Posts recentes

Ver tudo
Uma arqueologia do si mesmo

Freud, em 1937, escreve um texto muito bonito, entitulado “Construções em análise”. Nele, o autor faz um paralelo entre o processo...

 
 
 
Uma relação íntima com o tempo

As relações de subjetividade são relações estabelecidas e sustentadas em um tempo social e compartilhado, porém experimentadas em um...

 
 
 
Sociedade da transparência

Byung-Chul Han é um filósofo e ensaísta sul-coreano. É professor de Filosofia e Estudos Culturais na Universidade de Berlim e autor de...

 
 
 

Comentários


Rua Vergueiro, 2087, 13º andar

©2019 por Horácio Amici - Psicólogo.

bottom of page